sábado, 16 de maio de 2015
terça-feira, 12 de maio de 2015
GUAMÁ ROCKBLUES
Moro no bairro fêla da puta de gente que só nasce com cara virada pro lado esquerdo.
Gente que já nasce com cara revoltada, de alma abortada.
De gente que ouve música, mas não ouve seu coração.
Moro no bairro onde o tempo parece confortável, onde a morte parece viver.
Onde todos esperam novas possibilidades, velhos anseios.
Bairro onde a bundinha no shortinho reina absoluta nas feiras e nos supermercados.
Moro no bairro onde gente espalha fofoca como gato espalha merda pelo chão.
Moro no bairro onde as pessoas sufocam como se quisessem estrangular.
Moro no bairro onde o carnaval parece que nunca passou.
Moro no bairro onde a boca só tem gosto de sabão e os endereços não têm fim.
Moro no bairro em que o medo fica próximo do bar da esquina, os sonhos viram pesadelos e os cabeludos ficam carecas de saber.
Moro no bairro onde a gente chora mais que ri, espanta mais que canta e implora mais que ora.
Moro no bairro onde a chuva molha mais dentro do que fora, onde as feridas não se cicatrizam.
Moro no bairro onde a noite parece um circo.
Moro no bairro onde velam você. Vivo.
Moro no bairro onde a saudade mata a gente...
(Alex Contente)
Gente que já nasce com cara revoltada, de alma abortada.
De gente que ouve música, mas não ouve seu coração.
Moro no bairro onde o tempo parece confortável, onde a morte parece viver.
Onde todos esperam novas possibilidades, velhos anseios.
Bairro onde a bundinha no shortinho reina absoluta nas feiras e nos supermercados.
Moro no bairro onde gente espalha fofoca como gato espalha merda pelo chão.
Moro no bairro onde as pessoas sufocam como se quisessem estrangular.
Moro no bairro onde o carnaval parece que nunca passou.
Moro no bairro onde a boca só tem gosto de sabão e os endereços não têm fim.
Moro no bairro em que o medo fica próximo do bar da esquina, os sonhos viram pesadelos e os cabeludos ficam carecas de saber.
Moro no bairro onde a gente chora mais que ri, espanta mais que canta e implora mais que ora.
Moro no bairro onde a chuva molha mais dentro do que fora, onde as feridas não se cicatrizam.
Moro no bairro onde a noite parece um circo.
Moro no bairro onde velam você. Vivo.
Moro no bairro onde a saudade mata a gente...
(Alex Contente)
domingo, 10 de maio de 2015
VIDA ESCRITA POR NATUREZA
O amor de uma mãe é o lugar mais encantado que existe... tão belo quanto um pôr do sol. Quem dera abríssemos de repente o coração de verdade. Minha mãe é uma mulher da minha vida, minha terra, um lugar maravilhoso de onde se esquece o que passou.
Rugas no rosto sereno
Amor em todas as línguas
Cheiro de rosas das Marias
Protetora abençoada de vidas
Sou obra da parte dessa eterna
Arte chamada MÃE...
(Alex Contente)
Rugas no rosto sereno
Amor em todas as línguas
Cheiro de rosas das Marias
Protetora abençoada de vidas
Sou obra da parte dessa eterna
Arte chamada MÃE...
(Alex Contente)
quarta-feira, 6 de maio de 2015
TRISTE FIM
Ladrão invade tua casa e leva bolsa tiracolo, tablet, carteira profissional, identidade, cartão de loja, tesourinha amolada e uma pena de galinha (sim, isso mesmo, que servia exclusivamente para coçar ouvido).
Ainda era cedo: 8 horas. Poderia ter levado mais coisas, porém, o lar doce lar na hora reclamou.
Arrombou a porta como um morcego. Adentrou o imóvel com a cabeça carregada de tantos pensamentos tortos.
Não limpou os pés ao entrar mas deixou as marcas do chinelo como forma de compartilhar o sentimento de culpa. Fez questão de esquecer que o amor é mil vezes maior que a maldade.
O larápio virou as costas para Deus, fez pacto com satã e marcou encontro com a sorte. Sem máscara e sem pudor, declarou guerra consigo mesmo, arriscando faturar em cima da desgraça alheia.
Diante da impotência, ele leva também tua dignidade por alguns instantes, abandonando-a por aí num canto qualquer da própria revolta.
Lamentou apenas não ter levado todos os discos e livros da estante, provavelmente porque não teria forças o suficiente para carregar tanto conhecimento e arte nas costas. Mas vislumbrou, com razão, a pintura da mega artista Nua Estrela - tchê de luz própria - pendurada na parede.
Fugiu bailando como uma borboleta.
O ladrão - que um dia teve um coração - ainda levou meu perdão... E agora? Agora, sem alma, talvez o meliante esteja pronto para outra empreitada, consumida na morte.
(Alex Contente)
Ainda era cedo: 8 horas. Poderia ter levado mais coisas, porém, o lar doce lar na hora reclamou.
Arrombou a porta como um morcego. Adentrou o imóvel com a cabeça carregada de tantos pensamentos tortos.
Não limpou os pés ao entrar mas deixou as marcas do chinelo como forma de compartilhar o sentimento de culpa. Fez questão de esquecer que o amor é mil vezes maior que a maldade.
O larápio virou as costas para Deus, fez pacto com satã e marcou encontro com a sorte. Sem máscara e sem pudor, declarou guerra consigo mesmo, arriscando faturar em cima da desgraça alheia.
Diante da impotência, ele leva também tua dignidade por alguns instantes, abandonando-a por aí num canto qualquer da própria revolta.
Lamentou apenas não ter levado todos os discos e livros da estante, provavelmente porque não teria forças o suficiente para carregar tanto conhecimento e arte nas costas. Mas vislumbrou, com razão, a pintura da mega artista Nua Estrela - tchê de luz própria - pendurada na parede.
Fugiu bailando como uma borboleta.
O ladrão - que um dia teve um coração - ainda levou meu perdão... E agora? Agora, sem alma, talvez o meliante esteja pronto para outra empreitada, consumida na morte.
(Alex Contente)
quarta-feira, 29 de abril de 2015
ELE VOLTOU, MAS NEM ÀS PULGAS CONFESSA
| O infante Raul em pleno passeio pra lá de Marrakesh. |
Há duas semanas ele havia fugido. Pra nunca mais voltar. Mas foi resgatado.
Raul queria mesmo era só se divertir, esquecer um pouco as pulgas e as lambidas diárias no saco escrotal de tanto cio, no couro até a alma supersônica.
Com ele não tem frescura. Seu uivo é uma devassa libertação a quatro patas, com direito a uma linguada quente na orelha esquerda à primeira vista.
De maneira pragmática, acho que Raul precisava fugir. Talvez ele quisesse trepar até o final do ano, já que sua cachorrilidade punk não o permitia ir muito além para romper de uma vez as estruturas carrapatais que tanto o perseguem. Não há em toda veterinária um remédio que o fizesse desistir de tal façanha. Ele só pensava nisso todo dia.
Descendente de mãe de santo das brabas, Raul foi criado com toda serventia própria dos cães papacus que vivem isoladamente tarados e pervertidos.
Malandro com faro de Doberman e força de Pitbul, preferiu se abrigar nos escombros do Lapinha ao invés dos amontoados e alagados inferninhos do bar São Jorge. Bom gosto ele sempre teve. Mas agora cismou em querer fazer parte do casting da série Horses & Dogs da Brasileirinhas. Cris Mel é a sua musa, digo, cadela, preferida das performances cinematográficas.
Entretanto, cansado de sua pulguenta penitência, ele voltou. Justamente pra nunca mais ter que olhar o seu improvisado abrigo que um dia foi de um luxo só: com direito a strip-tease para o deleite de qualquer destemido cachorro doido de sofrência absoluta.
A vontade dele conhecer de pertinho o palco onde reinou Beth Maluca - a mais famosa puta de vulva atrofiada que o Lapinha já reverenciou com pombas black or white - foi a rota para o seu paladar chamegoso de nove dias, algo pra ele como um lugar do caralho. Mesmo passando fome, lutou até o fim por um petisco-desejo de ter o rabo cruzado a outro rabo em perfeita duração de sintonia íntima. Tava bom demais, pois isso lhe deixou exalando pedigree nos pelos.
Agora ele tá em casa, não tá mais sacolejando na rua, se contenta em lamber o saco mas nem às pulgas confessa o seu tresloucado coito andarilho em noites do seu nome ao avesso. Sem dó nem piedade, voltou assanhado, saliente como nunca, marcando presença, misturando taradice com forró e muito rock and roll em quaisquer partes dos incautos que cruzarem seu caminho...
Valeu, amigos, pela preocupação e grande torcida.
Meu coração não se cansa de latir agradecimentos!
(Alex Contente)
sábado, 18 de abril de 2015
TÃO SÓ
| Muita gente não sabe como preencher os espaços vazios... |
O vizinho da casa ao lado escuta rádio e a música me diz que está sendo difícil e isso só me faz chorar. Acho que o vizinho até faz de propósito porque a letra teima em me fazer sofrer. Por que meu barco está vazio? No momento, sete mil vezes imploro, grito help pelos olhos, farejo culpa pelos cantos da dor, que subjuga quem sente. Meu coração sacoleja saudades por onde estou e vou, mas entre tantos corações parece que só ele apanha... Quem me dera ser gente, pois gente não entende nada.
Há tantas caras estranhas aqui querendo ficar comigo, porém, mesmo que eu passe toda minha vida ainda assim esperarei um dia voltar para o meu reino antigo, nem que seja num domingo de manhã como reza àquela música sertaneja chata - que mais parece hino de Testemunha de Jeová -, mas que tem o poder de me fazer tanto ri espichando o rabo toda vez que a ouço.
Meus donos sempre serão uma paisagem útil. Mesmo que distantes.
( Raul Velho de Guerra é o meu nome )
sábado, 11 de abril de 2015
EU SOU ASSIM
Vejo livro
Leio filme
Penso música
Como retrato
Ouço remédio
Deito no alto
Salto no pulo
Com pé no bolso
Com mão no osso
Com olhos no poço
Eu sou assim
Todo errado
Fico tevê
Navego deprê
Durmo internet
Discuto Machado
Odeio Macedo
Ignoro notícia
Eu sou assim
Todo torto
Fecho perguntas
Abro respostas
Devoro notas
Bebo chuva
Belisco mato
Capino saudade
Eu sou assim
Tiro incerto
Assim sou eu
Eu sou eu assim
Sou eu assim eu...
(Alex Contente)
Leio filme
Penso música
Como retrato
Ouço remédio
Deito no alto
Salto no pulo
Com pé no bolso
Com mão no osso
Com olhos no poço
Eu sou assim
Todo errado
Fico tevê
Navego deprê
Durmo internet
Discuto Machado
Odeio Macedo
Ignoro notícia
Eu sou assim
Todo torto
Fecho perguntas
Abro respostas
Devoro notas
Bebo chuva
Belisco mato
Capino saudade
Eu sou assim
Tiro incerto
Assim sou eu
Eu sou eu assim
Sou eu assim eu...
(Alex Contente)
domingo, 8 de março de 2015
UM PEDAÇO DO JAPÃO
![]() |
| A praça, as plantas e a igreja exaltam harmonia. |
![]() |
| Pausa para uma brisa refrescante à beira do rio. |
que é outra fonte economicamente, e frutas como o açaí, cupuaçu, manga, cacau, e a extração da madeira.
Tomé-Açu nos acolheu com queijos, leites e muita neblina logo cedo...
(Alex Contente)
Visita à biblioteca, a testemunha que preserva e guarda a imensa memória da intensa história da cidade. Nas mãos, a biografia do Des. Wilson de Jesus Marques da Silva: o município deve muito a este senhor, que, na década de 70, além de ter sido juiz da comarca de Tomé-Açu, foi também diretor de um grande colégio, onde lecionava as disciplinas História do Brasil, Português e Francês.
Fotos Leka Liares
terça-feira, 3 de março de 2015
BELÉM NO TUCUPI
Vamos comer Belém
em cima, embaixo
atrás, na frente
Vamos comer Belém
na rua
na dança
na cuia
na praça
Vamos comer Belém
no tronco da mangueira
ou na beira do rio Guamá
Vamos comer Belém
com tacacá e jambu
camarão e pimenta
peixe e farinha
ou, melhor, Belém
com maniçoba...
(Alex Contente)
em cima, embaixo
atrás, na frente
Vamos comer Belém
na rua
na dança
na cuia
na praça
Vamos comer Belém
no tronco da mangueira
ou na beira do rio Guamá
Vamos comer Belém
com tacacá e jambu
camarão e pimenta
peixe e farinha
ou, melhor, Belém
com maniçoba...
(Alex Contente)
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