Quinta-feira chuvosa no bairro Ainda que eu escute música E acenda luzes pra ver tevê Nada acontece na vida O mundo foge do normal Onde aprendo ser anormal Deixo o coração no telhado Onde o gato cheira o caminho Pra melhor trilhar o sofrimento E deixar qualquer incauto inalar O aprendizado da sobrevivência...
Na poesia colocamos em prática aquilo que a alma extravasa no corpo, aquilo que já não suporta mais. Seja em prazer. Seja em dor. Uns, com o poder mais refinado; outros, com poderes mais brutos; uns, mais mares; outros, menos rios; uns, mais líquidos; outros, mais sólidos; e há outros mais gasosos; assim como há também outros mais fumaça do que fogo. Há àqueles que morrem sem poesia, assim como os que morrem por ela. O poeta é mesmo um fingidor - declarava o poeta português Fernando Pessoa - e assim como muitos já tiveram contato com outras poesias, o próprio também já tivera um dia contato com obras de outros poetas inspiradores. A poesia existe na alma justamente para aliviar, presta por ser imprestável, seduz na arte. O poeta precisa às vezes fingir a alma de prazer para que a essência que se preze tenha o rabo copiado. Quiçá adorado.
Não estou sozinho etc. Mas a saudade é grande Quero ver se volto pra ontem Pois sou um menino da vida Não estou na cidade de Belém E isso me parece um desafio Mas a saudade é muito grande Pois sou filho da esperança Das curvas dos caminhos De cada pensamento Meu pai se chama sei lá E a minha mãe, inocente Ambos, doce sentimento De um pedaço de mim Eu sou homem livre, solto Cheio de sonhos, devaneios Nas ruas do Guamá fui criado Mas hoje eu sinto saudade De tantas coisas passadas Talvez por isso falte um pedaço Quem bom que existe o amor Quero ser sempre o presente Esquecer o passado, já assado E continuar sendo um sonhador... (Alex Contente)