Santa padroeira da poesia
Que este menino de olho esperto saiba
Entender o sinal certo da poesia encoberta
E falar perto e distante de corpo aberto
Sem calar-se
Ter forças para lançar-se nesse imenso instante.
Santa padroeira da poesia
Que a poesia não seja o inferno, fechado, escuro
Um excesso eterno de quase nada (sem nada)
Que a poesia não seja vista
Como condenada, sinistra
Mas sentida pelo que ela propõe - de poesia.
Santa padroeira da poesia
Que saiba conduzir essa oração
Possa a poesia ser o ato ou o retrato
O inferno ou o céu
Porque o verso é uma conquista
Um espelho de reflexo
Onde saberá também reinar.
Santa padroeira da poesia
Que incorpora o santo que vê
Os níveis de sincretismo que lê
No homem, na mulher, no animal,
Na vida inteira.
Santa padroeira da poesia
Ensina-me a vê-la clara assim
Sem fim e que continue em mim
Sempre, no ar, na alma
Santa poesia...
(Alex Contente)
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